
Fonte 1: Maçonaria com Excelência
A Jóia do Cargo
Uma bolsa, símbolo da coleta dos óbolos (doações), marcada com um coração (símbolo do amor e caridade).
Visão Ordinária – Atribuições Regulamentares
Compete ao Hospitaleiro:
1.Visitar Obreiro ausente, enfermo ou necessitado e dar conhecimento à Loja de seu estado e situação
2.Requisitar ao Tesoureiro, mediante autorização do Venerável, os valores necessários ao cumprimento de sua função
3.Circular com a Bolsa de Beneficência e conferir com o Tesoureiro o produto de sua coleta
4.Sindicar e informar todos os pedidos de auxílio dirigidos à Loja
5.Orientar a família do Obreiro falecido quanto ao recebimento do auxílio prestado pela Beneficência Maçônica, se for o caso
6.Providenciar, junto à família do Obreiro falecido, a devolução dos documentos, livros e insígnias pertencentes à Loja e manuais ritualísticos
7.Ter pleno conhecimento da situação do Caixa da Hospitalaria, o qual constitui Patrimônio Especial e Maçônico da Loja e que não pode ser utilizado, em nenhuma hipótese, para fins estranhos à Hospitalaria
8.Informar à Loja, na primeira Sessão de abril, sobre a condição dos Obreiros que recebem auxílio, para verificar se as pensões devam ser mantidas, aumentadas, diminuídas ou suprimidas
Visão Extraordinária – Aspectos Práticos e Fraternos
Atenção ao Comportamento dos Irmãos:
•O Hospitaleiro deve estar bastante atento ao comportamento dos Irmãos em Loja
•Especial atenção aos ausentes, cujos afastamentos devem ser apurados com cautela
•Boa prática: estar sempre em boa coordenação com o Chanceler
Cuidado na Abordagem:
•Cuidado especial na sondagem de eventuais problemas com Irmãos
•Evitar uma aparente “cobrança”
•O Hospitaleiro é o que leva o ombro amigo
•Lembra o Irmão de que ele tem onde se amparar
Acolhimento:
•Muitas vezes o problema não comporta solução imediata
•Uma conversa acolhedora e fraterna converte-se em bálsamo para a alma
•Deixar claro ao Irmão em dificuldade que sua presença em Loja é importante
•A Loja é um momento de recarga energética e higienização mental
Preparação:
•Boa prática: preparar-se para as missões através da conversa com Irmãos mais experientes
•Conhecer o contexto familiar e pessoal do Irmão ausente
•Consultar o Tesoureiro (eventualmente, o Irmão não comparece por constrangimentos motivados por dificuldades financeiras)
Sintoma de Alerta:
•A baixa frequência dos Obreiros é um sintoma que deve merecer muita atenção
•Há que se investigar suas raízes e buscar ações corretivas e preventivas
•Não é fortuita a proximidade entre os assentos do Hospitaleiro e do Chanceler em Loja
Observações sobre Diferentes Ritos
•Nem todos os Ritos possuem este cargo
•Rito Schröder: Não possui este cargo, mas o Segundo Diácono é o responsável por correr a Bolsa de Beneficência (chamada de “Esmoleira”)
Fundo de Beneficência
•O que é arrecadado compõe o Fundo de Beneficência da Loja
•Precisa ter contabilidade em separado
•Só pode ter destinação filantrópica, não podendo ter outro uso
•Os metais apurados são, em geral, insuficientes para a constituição de um fundo robusto
•Normalmente atendem a uma ou outra solicitação pontual de instituições
•Uma oficina que tenha como meta o desenvolvimento de um projeto verdadeiramente estruturado de Beneficência pode fazer isso através de um bom planejamento
Fonte 2: História dos Cavaleiros Hospitalários (Ordem de Malta)
Jerusalém – 1048
A origem da Ordem de São João remonta a cerca de 1048. Os comerciantes da antiga República Marítima de Amalfi obtiveram do Califa do Egito a autorização para construir uma igreja, convento e hospital em Jerusalém, para cuidar de peregrinos de qualquer fé religiosa ou raça.
A Ordem de São João de Jerusalém – a comunidade monástica que administrava o hospital – tornou-se independente sob a orientação de seu fundador, o Beato Gerardo. O Papa Pascual II aprovou a fundação do Hospital com a Bula de 15 de Fevereiro de 1113 e colocou-a sob a égide da Igreja, concedendo-lhe o direito de eleger livremente os seus superiores sem interferência de outras autoridades seculares ou religiosas.
Transformação em Ordem Leigo-Religiosa
Em virtude da bula papal, o hospital tornou-se uma ordem leigo-religiosa. Todos os cavaleiros eram religiosos, sujeitos aos três votos monásticos de pobreza, castidade e obediência.
Dupla Missão: Hospitalidade e Defesa
A constituição do Reino de Jerusalém obrigou a Ordem a assumir a defesa militar dos doentes e dos peregrinos, além de vigiar os seus centros médicos e estradas principais. A Ordem acrescentou, assim, a tarefa de defender a fé à sua missão hospitalária.
Com o passar do tempo, a Ordem adotou a cruz branca de oito pontas que ainda hoje é o seu símbolo.
As Oito Pontas da Cruz
A cruz de oito pontas representa as oito bem-aventuranças do Sermão da Montanha e também os oito deveres dos Cavaleiros:
1.Viver com verdade
2.Ter fé
3.Arrepender-se dos pecados
4.Dar provas de humildade
5.Amar a justiça
6.Ser misericordioso
7.Ser sincero e puro de coração
8.Suportar a perseguição
Evolução Histórica
Chipre (1291): Após a queda de São João do Acre e a perda da Terra Santa em 1291, a Ordem transferiu sua sede para Limassol, na ilha de Chipre. Continuou a construir novos hospitais fiéis à sua missão hospitalária e, beneficiando da posição estratégica da ilha, constituiu uma frota naval para proteger os peregrinos.
Rodes (1310): A Ordem transferiu sua sede para Rodes, onde construiu uma frota poderosa e navegou pelo Mediterrâneo Oriental. A independência da Ordem e seu direito de manter forças armadas e nomear embaixadores constituíram o fundamento de sua soberania internacional.
Malta (1530): A Ordem tomou posse da ilha de Malta, concedida pelo Imperador Carlos V. Os cavaleiros transformaram Malta, construindo hospitais, palácios, igrejas e bastiões. Foi fundada uma escola de anatomia e uma faculdade de medicina. A Ordem contribuiu especialmente para o desenvolvimento da oftalmologia e farmacologia.
Roma (1834): Após ter sido expulsa de Malta por Napoleão em 1798, a Ordem estabeleceu-se definitivamente em Roma, onde possui, com estatuto extraterritorial, o Palácio Magistral e a Villa Magistral no Monte Aventino.
Século XX e XXI
Na segunda parte do século XIX, a missão hospitalária original tornou-se mais uma vez o foco principal da Ordem, ficando cada vez mais forte durante o século XX. Atividades hospitalares e de caridade em larga escala foram levadas a cabo durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.
Legado para a Maçonaria
A tradição dos Cavaleiros Hospitalários de cuidar dos enfermos, proteger os peregrinos e praticar a caridade sem distinção de fé ou raça influenciou profundamente a Maçonaria, especialmente no estabelecimento do cargo de Hospitaleiro e na ênfase na filantropia maçônica.
A cruz de oito pontas e os oito deveres dos Cavaleiros ecoam nos princípios maçônicos de virtude, caridade e fraternidade universal.
Fonte 3: Funções Detalhadas do Hospitaleiro
Definição
“Nome dado a um dos Oficiais de uma Loja Maçônica, porque esse oficial é o encarregado não só da arrecadação dos óbulos por meio de seu ‘giro’ litúrgico com formalidade, como também de atender aos necessitados”.
“É o irmão oficial que tem o cargo e a responsabilidade da distribuição dos fundos de caridade para o uso com os necessitados”.
O Saco de Beneficência ou Tronco da Viúva
Através do Saco de Beneficência, ou Tronco da Viúva, os óbulos arrecadados são aplicados pelo Hospitaleiro, de forma autónoma e independente, sem que lhe seja exigida qualquer prestação de contas dos valores, permanecendo o montante da coleta em sigilo (somente o Hospitaleiro o conhecerá).
A obrigação de prestar contas, não dos valores, mas das ações que pratica em nome da Loja é por isso exclusiva do Hospitaleiro.
Responsabilidades de Visitação
É também ele o irmão encarregado de visitar, cuidar e socorrer aos irmãos enfermos que sejam membros da própria Loja, ou profanos por ela recomendados.
A Função Mais Delicada
Agrega, portanto, a mais delicada função maçónica, pois o eleito deve ter tato, perspicácia e muitas virtudes, pois de sua vontade depende toda a filantropia realizada.
Perfil do Hospitaleiro Ideal
É um irmão especial, ativo, vigilante, bom observador e pela firmeza de seu caráter, deve ser:
•Inacessível a uma piedade cega que é ordinariamente o disfarce dos homens sem pudor que fazem deste um objeto de comércio
•Não deve ser duro ou inabordável, e não deve nunca faltar aos deveres da humanidade
•A humildade deve ser o seu primeiro dever
Reputação e Discernimento
Sua reputação de caritativo, mas também de severo e justo, deve ser conhecida, a fim de que:
•A mendicidade maçónica incessante e atrevida não se atreva a “assaltá-lo” de pedidos
•O verdadeiro desgraçado pela sorte, a viúva e o órfão de um irmão falecido possam ser socorridos e contar com seu justo e saudável apoio
Energia e Sagacidade
Ele deve rechaçar com energia a todos os pedidos que vierem duvidosos.
É preciso que o Hospitaleiro seja um homem sagaz para:
•Julgar a linguagem e a posição dos indivíduos que solicitam a assistência da Loja
•Examinar bem o mérito das solicitações
•Rechaçar com energia a tudo que vier duvidoso
O Levita Moral
Pode mesmo dizer-se que o irmão Hospitaleiro é o chefe da tribo para todos os atos humanitários e beneficentes, é o Levita moral, que leva o consolo e o socorro a seus irmãos em suas desgraças e em suas aflições.
Consciência da Missão
O irmão Hospitaleiro deve trabalhar e reconhecer que o socorro que lhe imploram pode dar um dia a mais de vida a um ser humano, este é o primeiro benefício, esta é a ordem da Loja e dos seus irmãos.
O Hospitaleiro faz-se o expoente da solidariedade da Loja, cuidando para que nunca se enfraqueça o laço de união que sempre deve existir entre todos os membros da Ordem.
Lealdade na Administração
O irmão Hospitaleiro deve ter em sua mente que não é com o seu próprio vil metal que pratica as boas ações, mas sim, que o vil metal vem de todos os irmãos e que a lealdade é fundamental, quando se administram valores alheios.
